André Souza

Inteligência Emocional

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Liderança exige equilíbrio, emoção e consciência.

Entrevista com Robson Santarém, consultor, que lançou recentemente o livro “(Auto)liderança – Uma Jornada Espiritual”, Editora Senac Rio.

A capacidade do ser humano de se relacionar com seus semelhantes sempre foi e continuará sendo alvo de muitos estudos. Essa realidade casa como uma luva com o cotidiano das organizações, afinal as empresas são formadas em toda sua essência por pessoas e cada uma dessas, por sua vez, possui as mais diversas vivências, sendo detentoras de opiniões individuais, muitas vezes, enraizadas no inconsciente. Diante disso, surge uma pergunta sempre polêmica no meio organizacional: quem está apto para liderar mentes capazes de pensar por si próprias?

RH.COM.BR - É comum encontramos executivos que não conseguem conciliar a carreira com a vida pessoal, em decorrência das responsabilidades assumidas no meio organizacional. Que reflexos isso traz para essas pessoas?
Robson Santarém - Penso que esta não conciliação entre carreira e vida pessoal não decorre das responsabilidades assumidas no meio organizacional, mas da visão ou do paradigma equivocado que fez com que muitos ainda acreditem que se deve separar a vida pessoal da vida profissional. Muitos acreditam que é possível investir no sucesso profissional, ganhar dinheiro, buscar o status e deixar de lado a vida pessoal, referindo-se às relações de amizade e familiares principalmente. Em nome do sucesso abre-se mão da felicidade. Do mesmo modo alguns acreditam que é possível trabalhar em uma área ou uma organização que não proporciona realização e felicidade, mas que em algum momento da vida vai desfrutar.

RH - Se os gestores não encontram esse ponto de equilíbrio desejado e que garanta a qualidade de vida, que conseqüências surgem para o clima organizacional?
Robson Santarém - Pessoas felizes, realizadas, irradiam felicidade, criam ambiente que proporciona bem-estar para todos e trabalharão para que as pessoas com quem convivam também sejam felizes, se desenvolvam e se realizem como pessoas, o que inclui a dimensão profissional. O contrário também é verdadeiro, isto é, pessoas infelizes, que não vêem sentido no que fazem - e muitas vezes na própria vida, estão em desequilíbrio interior, provocarão também desequilíbrio exterior. Não raro nos deparamos com pessoas desmotivadas, ambiente de trabalho pesado, clima ruim, assédio moral, produtividade baixa, clientes mal atendidos, entre outros fatores, porque quando o gestor que não está bem consigo mesmo acaba transferindo toda essa energia negativa para o ambiente onde ele está.

RH - O Sr. defende que deve existir um equilíbrio entre razão e emoção na atuação diária dos gestores. Isso realmente é possível?
Robson Santarém - Mas é claro que não só é possível como é uma exigência da própria vida. Nos últimos séculos o paradigma que nós adotamos fragmentou tudo e separou razão de emoção. Perdemos o sentido do todo e também a nossa identidade. O que é a vida afinal? Quem somos nós? Todo ser humano é chamado a viver a vida plenamente em todas as suas dimensões: física, mental, emocional e espiritual, e viver de maneira equilibrada. Este é um processo evolutivo que cada um de nós é chamado a viver. Não há dúvidas acerca da possibilidade de realizarmos este equilíbrio. Existem muitos homens e mulheres que são exemplos de seres humanos que deram certo como gente. Existem executivos brilhantes, que geram lucratividade e produtividade altas para as suas empresas porque sabem criar um espaço onde as pessoas orgulham-se de trabalhar e sentem que neste ambiente elas não só se realizam, mas contribuem para que a organização e a sociedade sejam melhores.

RH - Recentemente, o Sr. lançou o livro “(Auto)Liderança, Uma Jornada espiritual” baseando-se nos conceitos desenvolvidos por Carl G. Jung e nos ensinamentos da trajetória de Francisco de Assis. O que esses dois ícones possuem em comum, em relação ao tema liderança?
Robson Santarém - Parti do seguinte pressuposto: se liderar significa inspirar pelo exemplo do caráter, dos valores, o líder precisa ser antes de tudo um ser humano equilibrado, consciente de si mesmo. Digo que um excelente líder deve ser primeiro um excelente ser humano. Para se chegar a esse ponto é preciso, então, saber liderar a si mesmo antes de pretender liderar outras pessoas. Liderar a si mesmo requer autoconhecimento, controle emocional, consciência do sentido da vida, do propósito de estar no mundo, dos valores que dão sustentação para as ações, enfim, de percorrer um caminho ao qual Jung denominou processo de individuação. Isto significa a capacidade do individuo tornar-se si mesmo e não se deixar levar pelas convenções coletivas, pelos padrões sociais que o desviam da sua singularidade, mas desenvolver a sua própria história, fazer o seu próprio caminho. É um processo evolutivo no qual o individuo vai expandindo a consciência e desenvolvendo a sua personalidade de maneira íntegra e singular. Em minhas reflexões procurei identificar um exemplo de pessoa que tenha vivido este processo evolutivo - segundo o modelo junguiano - e seja reconhecido como líder. Francisco é uma pessoa que “deu certo” como ser humano, como gente. Ele passava credibilidade e liderava pelo exemplo.

RH - Os ensinamentos de Jung e o legado de Francisco de Assis complementam-se?
Robson Santarém - Jung em sua vastíssima obra, fruto de décadas de estudo e pesquisa sobre a natureza humana, contribui para que o indivíduo conheça-se melhor. Apenas para citar resumidamente, seus estudos demonstram a importância da expansão da consciência, de mergulhar não só no inconsciente pessoal, como no inconsciente coletivo e identificar os padrões de comportamento - arquétipos - que carregamos em nós e precisam ser analisados para que vivamos mais plenamente a nossa essência. Assim ele identificou a Persona - a máscara que usamos e que precisamos nos desvestir para reconhecermos quem somos de verdade, a Sombra, referindo-se aos conteúdos psíquico-emocionais reprimidos e que tantas vezes projetamos sobre os outros, causando problemas para nós e nossos relacionamentos; a Anima relacionada à força do feminino que todos carregamos: a ternura, o cuidado, a sensibilidade, a intuição, valores tão importantes para o nosso pleno desenvolvimento e realização - principalmente para os líderes; o arquétipo da Sabedoria que nos vincula à dimensão espiritual, entre outros.

RH - Que conselhos o Sr. daria a um gestor que sente a necessidade de mudar sua postura para gerir pessoas?
Robson Santarém - Se já sente a necessidade de mudar de postura, já deu um grande passo, porque é sinal que tomou consciência de muita coisa na vida. Acho que não é propriamente dar conselhos, mas apenas dizer: amigo, amiga, companheiros da jornada da vida, vamos nos abrir à possibilidade de nos tornarmos melhores como pessoas, vamos juntos - porque estamos todos juntos aqui fazendo uma mesma jornada de esperança, de conquistas, de luta, de superações. Vamos juntos nos esforçar com afinco, com disciplina, com destemor nesta busca de felicidade, de realização, não só para nós, mas para todos. Vamos nos conhecer mais e melhor! Vamos nos colocar a serviço dos outros. Vamos nos colocar a serviço da vida, do planeta. Quem sabe assim, poderemos dizer um dia que valeu a pena viver.

http://www.rh.com.br/ler.php?cod=5000&org=2

Onde está a essência da motivação?

Entrevista com Gilclér Regina consultor motivacional com mais de 20 anos de experiência na área de Recursos Humanos:

 

O ser humano possui duas escolhas na vida: ficar onde está, sem evoluir um único centímetro, ou ir em busca de suas conquistas e alcançar objetivos pessoais e profissionais. Para alguns, isso é chamado de “livre arbítrio”, para outros “arregaçar as mangas e correr contra o tempo”. Não importa que denominação receba a força que move as pessoas. A motivação é algo que se alimenta do interior de cada indivíduo, e cabe a cada um a fazer o seu papel. Por outro lado, vale lembrar que no campo organizacional, as empresas também possuem uma importante parcela de colaboração para motivar os profissionais.

 

RH.COM.BR - O Sr. costuma afirmar que a motivação é uma força que move as pessoas para frente, que as leva a sair da inércia. Qual fator mais influencia a motivação: o comportamental do indivíduo ou os estímulos exteriores que se recebe da organização?
Gilclér Regina - Não existe qualquer negócio no mundo que seja sucesso sem uma equipe de trabalho motivada. O ser humano nasce, cresce e vive num ambiente global e competitivo onde uns tem mais sucesso que outros. É a competição da vida. Alguns são até mais felizes que outros. Assim, no universo das empresas, penso que o vai definir o resultado é essa junção das duas situações, ou seja, da parte da empresa, criar mecanismos que trabalhem o estímulo das pessoas e da parte do funcionário entender que ele pode buscar sua diferença e que se ele estiver motivado para se preparar, buscar conhecimento, construirá uma carreira de sucesso na empresa e no mercado. Conhecimento destrói incertezas. Conhecimento com motivação constrói certezas, isto é, resultados.

RH - E no âmbito organizacional, quem responde pelos estímulos motivacionais?
Gilclér Regina - A primeira responsabilidade é da própria empresa e de sua liderança, que deve ter seu foco, formar um ambiente que ao mesmo tempo dê serenidade às pessoas e por outro lado provoque-as ao desempenho do trabalho, dos desafios. O ser humano vive de desafios. O sucesso já é construído com a escolha das pessoas certas. O líder nesse processo é fundamental. As pessoas trabalham muito mais em função do seu chefe do que sua marca. E a marca pessoal da liderança reflete diretamente nos resultados.

RH - O líder é o principal personagem motivador da equipe?
Gilclér Regina - O líder deve saber trabalhar com duas situações. Primeiro que ele estará diante de pessoas e estas são na sua essência muito diferentes, com reações e perfis diferentes. O que fazer? Saber aceitar as diferenças individuais e ao mesmo tempo trabalhar o potencial de cada um. Segundo, reconhecer o que a maioria de todas as lideranças no mundo reconhece, isto é, entender que o grande desafio para se atingir metas e objetivos passa por uma equipe motivada. Não se pode construir uma empresa 100% em excelência e resultados com uma equipe 50% em comprometimento com metas, em qualidade ou na aceitação dos desafios.

RH - Se o líder possui esse papel destacado na equipe, ele precisa estar sempre motivado ou sua equipe fatalmente irá se contaminar pela falta de motivação?
Gilclér Regina - Se o líder não for alguém motivado sua equipe estará morta. Ou ele, porque não vai conseguir dar seqüência ao trabalho. A motivação, mesmo sendo um estado de espírito, também está presente no ambiente de trabalho. Ninguém dá uma notícia alegre chorando como também não dá uma notícia triste com alegria e entusiasmo. É preciso ter consciência do seu papel.

RH - Existe uma oscilação nos fatores motivacionais?
Gilclér Regina - É verdade, isso vem do próprio ser humano que desde que nasce, convive com momentos em que tem medo e em outros está em euforia. Vive momentos de saúde e de doença. Vive em um mundo onde um dia chove e no outro faz sol. E diante destas incertezas, constrói o seu estado de espírito. É importante ter essa consciência para não perder o rumo, ter sempre em pauta o foco, nunca sair do seu foco. Essa consciência do negativo sem perder o foco do positivo é a razão do sucesso de muitos. Mesmo sabendo que existe altos e baixos, o positivo se alimenta do negativo.

RH - Quais são os principais indicadores que revelam uma equipe motivada?
Gilclér Regina - São vários os indicadores como qualidade, produtividade, baixo turnover, maior responsabilidade social da equipe de trabalho em consonância com o marketing da empresa, saúde das pessoas, reduzido índice de pessoas com atestado médico ou encostados na previdência, uma equipe consciente para aceitar e trabalhar melhor novos desafios, paixão das pessoas que trabalham e que se nota por certo brilho no olhar e essencialmente resultados, seja de lucro final, de participação em mercado, seja de satisfação interna e clima de camaradagem que propicia um crescimento sustentado, verdadeiro, sucesso em longo prazo.

RH - Quais fatores identificam a falta de motivação e colocam em risco o dia-a-dia corporativo?
Gilclér Regina - Acredito que tudo vá estourar no resultado final, vivemos não de promessas, nem de palavras ou desculpas. Vivemos de resultados. Porém, essa identificação é mais visível quando não há comprometimento com o trabalho, com a qualidade, com as ações estratégicas da empresa. Vai tudo estourar lá, no balanço. As empresas têm problemas de motivação e nem sempre buscam melhorar a sua motivação interna, não promovem eventos voltados para o seu pessoal. Investem milhões numa frota de caminhões e não investem dez mil reais no treinamento de motoristas que, muitas vezes, por problemas de comportamento, falta de atitude e motivação, de ética, desviam combustíveis, estouram os pneus, estouram os diferenciais e até procuram burlar o satélite. Nos eventos motivacionais você pode colocar do presidente ao copeiro ou a faxineira e tendem a falar mais do negócio, da empresa, seus conflitos, suas verdades. O ser humano quer participar e não apenas ser um figurante. E quem participa, quer estar diretamente relacionado à ação, aos resultados.

RH - O Sr. gostaria de deixar um recado para quem busca o “tesouro” chamado motivação?
Gilclér Regina - Tenho uma frase no meu livro “No Topo do Mundo” em que eu disse assim: “Uma pessoa que sonha é mais forte do que aquele que possui todos os fatos”. O tesouro é sonhar de olhos bem abertos e trabalhar para isso acontecer. Como disse o Abílio Diniz: “Enquanto alguns sonham com o sucesso nós acordamos cedo para fazê-lo”. Os realistas estão a caminho. Os sonhadores já chegaram lá. Na vida nós temos dois grandes milagres diários, o nascer do sol e o pôr-do-sol. Isso por si só já mostra que Deus nos deu motivação de sobra para fazer sucesso. Ninguém nasceu para ficar rastejando-se ao chão. Nós nascemos para voar alto. Detalhe: a decisão de ir em frente, buscar o “tesouro” é de cada um.

 

http://www.rh.com.br/ler.php?cod=5049&org=2